Produção bibliográfica
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Artigos:
- UM MAR DE HISTÓRIAS, LINGUAGENS E METÁFORAS NA INTERVENÇÃO COM GRUPOS DE APOIO AO LUTO
RESUMO: Enquanto sociedade, dificilmente encontramos espaços propícios para o acolhimento dos múltiplos sofrimentos advindos da perda de algo ou alguém muito importante para nós, sendo o período de luto marcado por intensas emoções de difícil autorregulação para o enlutado. O presente artigo teve por objetivo apresentar um relato de experiência sobre o uso da linguagem figurativa e discutir algumas expressões metafóricas de luto construídas em grupos de apoio ao luto de crianças e adultos enlutados. Foram descritas cinco expressões metafóricas nos diferentes grupos: Balão, Parede de Tijolos Destruída, Mar do Luto, Porão Emocional e Sobreviver na Selva. O uso do recurso linguístico figurativo nas intervenções grupais favoreceu a elaboração de emoções e sentimentos difusos dos participantes, auxiliou a imersão das crianças enlutadas no trabalho grupal e mediou elaborações emocionais e corporais sobre seus processos de luto, mostrando-se um recurso profícuo na integração dos processos de luto.
- Rituais fúnebres na pandemia de COVID-19 e luto: possíveis reverberações
RESUMO: Objetivo: compreender a ausência de rituais fúnebres na pandemia de COVID-19 no processo de viver o luto das famílias brasileiras que perderam entes queridos por COVID-19. Método: pesquisa qualitativa documental realizada em três jornais disponibilizados online. Foram analisadas 67 reportagens, divididas em duas categorias; a primeira trata dos sofrimentos psicológicos derivados do isolamento social, como ansiedade, depressão, solidão e medo; e a segunda trata das diferentes manifestações do luto e o efeito psicológico das perdas em meio à pandemia. Resultado: a ritualização da morte é indissociável do processo de elaboração das perdas. A ausência de rituais fúnebres, aliada ao distanciamento social, repercute de forma desafiadora para a sociedade e para os profissionais da saúde mental. Estratégias não presenciais de demonstração de afeto e elaboração da perda podem amenizar o isolamento imposto pela pandemia. Conclusões e implicações para a prática: o processo de viver humano é repleto de ritos de passagem e a ritualística na morte-morrer se mostra necessária para a vivência da despedida, da certeza do distanciamento ocorrido entre entes e família. Implica em modos resolutivos de registro emocional, mental e mesmo físico da expressão pública de sofrimento do enlutado e do não esquecimento do Ser à morte. Impacta na prática assistencial para o acolhimento, orientação e elaboração das perdas para a manutenção de vida saudável das pessoas enlutadas, o que propõe argumentos teórico-reflexivos no cuidado em saúde mental e na guarida de pessoas enlutadas decorrentes da pandemia.
- Grupos de apoio ao luto na pandemia pela COVID-19 desafios e possibilidades
RESUMO: No décimo ano de falecimento do Prof. Dr. César Ades, o presente ensaio homenageia esse eminente cientista, antecessor da autora na cadeira número dezenove da Academia Paulista de Psicologia. César Ades foi referência nacional e internacional na área de etologia. Como pioneiro em nosso país, fundou a Sociedade Brasileira de Etologia (SBEt). Foi membro da Sociedade de Biologia Experimental e da International Council of Ethologists e firmou importantes intercâmbios científicos em âmbito internacional. Os nomes César Ades e Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (IP-USP) estão intimamente ligados. Nesse local transcorreu sua longa, produtiva e respeitável história, dedicado ao ensino e à pesquisa com elevado grau de consciência social e política. Também foi um gestor notável no meio acadêmico, ocupando muitos cargos e, por fim, a direção do Instituto de Estudos Avançados da USP que ele definia como um lugar para o exercício do pensar.
- Elaboração de diretrizes para atendimento hospitalar de tentativas de suicídio na adolescência
RESUMO: Este artigo visa descrever um estudo qualitativo e quantitativo de construção e validação de diretrizes para atendimento hospitalar de adolescentes com tentativa de suicídio O percurso metodológico implicou a realização de revisão integrativa de literatura com análise temática de conteúdo de 27 artigos, o qual gerou 3 categorias: avaliação do comportamento suicida em contexto de urgência e emergência hospitalar; intervenção diante do comportamento suicida e equipe multiprofissional hospitalar. O conteúdo destas categorias fundamentou a construção de um instrumento com 15 afirmativas sobre a atuação com adolescentes em crise suicida atendidos no contexto hospitalar. Este instrumento foi aplicado com 20 profissionais de saúde selecionados em duas instituições hospitalares do sul do Brasil, os quais atuaram como juízes/avaliadores das afirmativas propostas. O conteúdo das 15 afirmativas foi validado como diretrizes através do Cálculo de Porcentagem de Concordância e do Cálculo do Escore. As diretrizes construídas podem auxiliar as equipes multiprofissionais hospitalares, diante dos adolescentes com tentativas de suicídio, a fundamentarem suas condutas a partir de critérios que norteiam ações de acolhimento, avaliação, intervenção e encaminhamento.
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REDE SOCIAL DE APOIO NO LUTO: A QUEM CONFIAR MINHA TRISTEZA?!
RESUMO: Este artigo tem como objetivo compreender como ocorre o compartilhamento de vivências de perda e apoio social tecido nas redes sociais significativas de pessoas enlutadas. O estudo qualitativo foi desenvolvido com 12 pessoas que perderam um membro familiar. Para a coleta de dados utilizaram-se a entrevista semiestruturada e o mapa de redes, e para a organização e integração dos dados foram utilizados os procedimentos de codificação da Teoria Fundamentada. Destacam-se os diferentes atores envolvidos num macro e microssistema de relacionamentos formados em torno do apoio à expressão e compartilhamento de vivências de luto. Assim, familiares, amigos, profissionais de saúde, colegas de trabalho e estudo desenvolveram um processo relacional de dar e receber apoio emocional, companhia social e ajuda material à pessoa em luto. Por sua vez, as características dos vínculos interpessoais do enlutado com os membros de sua rede, como a multidimensionalidade, a história da relação, disponibilidade e reciprocidade, facilitaram o compartilhamento das vivências de luto. Sob a perspectiva da promoção da saúde, cabe aos profissionais potencializar o apoio social que é adequado a cada pessoa enlutada tendo em vista os recursos de apoio disponíveis na sua rede de relações significativas. Considera-se que é pelo protagonismo do enlutado e o apoio dado e percebido no contexto das redes sociais significativas que é possível ocorrer a integração psicossocial de pessoas enlutadas que vivem uma situação de luto na contemporaneidade.
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Revisão integrativa sobre a relação entre conceitos de enlutamento e sofrimento vivenciado por usuários de substâncias psicoativas que estão em busca da abstinência
RESUMO: Neste artigo objetivou-se compreender aspectos do processo de luto decorrente da necessidade de mudança comportamental por conta da busca pela abstinência através de um recorte histórico existencial. Afinal, longe da droga, o dependente entra em processo de mudança de comportamento semelhante a uma perda? Essa pergunta se justifica na atuação profissional onde os conflitos existenciais ou sofrimento relatados pelos usuários em tratamento são considerados fissura intensa, sem refletir sobre a mudança comportamental ou ausência do objeto de prazer. Realizou-se uma pesquisa de natureza aplicada com abordagem qualitativa e uma revisão bibliográfica integrativa com intuito de sintetizar resultados obtidos. Foi realizado levantamento em base de dados que proporcionou um artigo como resultado de acordo com o objetivo da pesquisa. Optou-se então pelo levantamento de teorias e conceitos sobre o luto e seu percurso histórico visando discutir a temática objetivada sob aspecto qualitativo. Para análise dos dados foi utilizada a estratégia de triangulação. Conceitos teóricos sobre o luto, denotam que o movimento de mudança comportamental e abstinência em relação ao uso de substâncias psicoativas geram reações de perda. Cabe destacar o luto relacionado ao abandono das sensações trazidas pelo uso da substância que agia psicoativamente, proporcionando significados àquela existência. Ao refletir sobre o tipo de perda do usuário e o processo de luto vivido, tanto no uso de substâncias quanto na ausência do uso, está a presente discussão sobre perda ambígua. O resultado indica que há envolvimento de aspectos do processo de enlutamento no processo de abstinência da substância de preferência.
- UMA PROPOSTA TEÓRICO-METODOLÓGICA PARA SUBSIDIAR A FACILITAÇÃO DE GRUPOS REFLEXIVOS E DE APOIO AO LUTO
RESUMO: Neste artigo objetivou-se compreender aspectos do processo de luto decorrente da necessidade de mudança comportamental por conta da busca pela abstinência através de um recorte histórico existencial. Afinal, longe da droga, o dependente entra em processo de mudança de comportamento semelhante a uma perda? Essa pergunta se justifica na atuação profissional onde os conflitos existenciais ou sofrimento relatados pelos usuários em tratamento são considerados fissura intensa, sem refletir sobre a mudança comportamental ou ausência do objeto de prazer. Realizou-se uma pesquisa de natureza aplicada com abordagem qualitativa e uma revisão bibliográfica integrativa com intuito de sintetizar resultados obtidos. Foi realizado levantamento em base de dados que proporcionou um artigo como resultado de acordo com o objetivo da pesquisa. Optou-se então pelo levantamento de teorias e conceitos sobre o luto e seu percurso histórico visando discutir a temática objetivada sob aspecto qualitativo. Para análise dos dados foi utilizada a estratégia de triangulação. Conceitos teóricos sobre o luto, denotam que o movimento de mudança comportamental e abstinência em relação ao uso de substâncias psicoativas geram reações de perda. Cabe destacar o luto relacionado ao abandono das sensações trazidas pelo uso da substância que agia psicoativamente, proporcionando significados àquela existência. Ao refletir sobre o tipo de perda do usuário e o processo de luto vivido, tanto no uso de substâncias quanto na ausência do uso, está a presente discussão sobre perda ambígua. O resultado indica que há envolvimento de aspectos do processo de enlutamento no processo de abstinência da substância de preferência.
- Construindo histórias e sentidos sobre uma perda familiar na vida adulta
RESUMO: Este artigo tem como objetivo descrever os sentidos das histórias de perda familiar na perspectiva de doze pessoas enlutadas devido à morte do cônjuge, filho, pai, mãe ou irmão. Foi realizada uma entrevista qualitativa com aplicação de roteiro temático e mapa de redes, sendo que a organização, integração e análise dos dados ocorreram por meio dos procedimentos de codificação da teoria fundamentada empiricamente. Destacam-se como resultados da pesquisa a construção de histórias e sentidos em torno do que foi perdido, do que causou a perda do familiar e do tipo de sofrimento e legados do luto. Conclui-se que os sentidos das histórias de perda parental reforçam a necessidade da promoção de conversações e ressignificações deste tipo de luto na vida adulta em diversos contextos relacionais de apoio ao luto.
- NARRATIVAS DE HOMENS VIÚVOS DIANTE DA EXPERIÊNCIA DE LUTO CONJUGAL
RESUMO : Neste artigo é apresentada uma pesquisa qualitativa que visou à compreensão das narrativas de homens viúvos vivenciando luto conjugal. Foram entrevistados três homens que se encontravam na época da perda em um momento específico do ciclo vital da família. Utilizou-se a entrevista qualitativa em profundidade e na organização dos dados foram utilizados os procedimentos de codificação da Teoria Fundamentada. Foram destacadas três categorias temáticas que constituem as dimensões da experiência de luto conjugal: ‘Dizer olá novamente’, ‘Deixar ir’ e ‘Seguir em frente’. As narrativas produzidas possibilitaram aos enlutados a reconstrução do seu sistema de significados em duas direções: manter viva a relação que tinham com a esposa construir novos significados para o self, tendo em vista o papel de progenitor viúvo em um ambiente familiar e social em transformação.
- Construindo histórias e sentidos sobre uma perda familiar na vida adulta
RESUMO: Este artigo tem como objetivo descrever os sentidos das histórias de perda familiar na perspectiva de doze pessoas enlutadas devido à morte do cônjuge, filho, pai, mãe ou irmão. Foi realizada uma entrevista qualitativa com aplicação de roteiro temático e mapa de redes, sendo que a organização, integração e análise dos dados ocorreram por meio dos procedimentos de codificação da teoria fundamentada empiricamente. Destacam-se como resultados da pesquisa a construção de histórias e sentidos em torno do que foi perdido, do que causou a perda do familiar e do tipo de sofrimento e legados do luto. Conclui-se que os sentidos das histórias de perda parental reforçam a necessidade da promoção de conversações e ressignificações deste tipo de luto na vida adulta em diversos contextos relacionais de apoio ao luto.
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Redes pessoais significativas e os recursos de enfrentamento no luto
RESUMO: Este artigo discute o protagonismo da pessoa em luto e de suas redes pessoais significativas e o modo de enlutamento na atualidade, que interdita a expressão pública do sofrimento no âmbito das relações sociais. Para tanto, realizou-se uma pesquisa qualitativa que visa compreender as vivências de luto a partir da rede pessoal significativa de enlutados e sua relação com os recursos de enfrentamento para elaboração de uma perda. O estudo foi desenvolvido com 12 pessoas que perderam um membro familiar na vida adulta. Para a coleta de dados utilizou-se a entrevista semiestruturada e o mapa de redes, e para a organização e integração dos dados foram utilizados os procedimentos de codificação da Teoria Fundamentada e do software Atlas-ti 5.0. No processo de análise de dados destacam-se três categorias conceituais, redes pessoais significativas, vivências de luto e recursos de enfrentamento no luto. As redes pessoais significativas foram grandes e muito grandes, compostas por pessoas da família, amigos, prestadores de serviço e colegas de trabalho e estudo e que foram qualificadas pelo seu grau de compromisso relacional como íntimas ou sociais. Estas redes proporcionaram apoio emocional, material, cognitivo e companhia social às vivências de luto relacionadas à separação e à restauração de papéis. Por isso, os recursos de enfrentamento encontrados foram espiritualidade, fazer terapia psicológica, receber apoio de amigos e familiares, manter o vínculo simbólico com a pessoa que morreu, desenvolver novos projetos de estudo, ocupar-se com o trabalho e assumir novas funções na família. Analisa-se que as redes geraram recursos de enfrentamento em torno do contato da pessoa enlutada com a realidade da perda bem como a reorganização da sua vida cotidiana. Conclui-se que as redes pessoais significativas configuradas no contexto da perda influenciaram tanto a construção de vivências e recursos de enfrentamento quanto à expressão pública do luto.Dissertação de mestrado
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ENFRENTANDO O MORRER: A Experiência de Luto(a) do Paciente com Câncer Avançado e de seus Familiares
RESUMO: Este estudo teve como objetivo central compreender o enfrentamento da ameaça de perda – imposta por um câncer avançado – e a preparação para a morte vivenciados pelo paciente e seus familiares. Operacionalizamos este enfrentamento a partir do conceito de luto antecipatório. Ele é definido como um conjunto de processos deflagrados pelo paciente e seus familiares a partir da progressiva a ameaça de perda, a saber: processos intrapsíquicos, interacionais, familiares e sociais. Trata-se de uma investigação qualitativa, que pode ser caracterizada como uma pesquisa clínica delineada na forma de estudo de caso. Os casos são compostos por sete pacientes com câncer avançado e seus familiares cuidadores. A escolha dos pacientes ocorreu a partir do critério tempo de doença, sendo estipulados os seguintes intervalos: abaixo de 6 meses, entre 6 meses e 18 meses e acima de 18 meses. Para a escolha do familiar elegemos como critério, ser o cuidador. A investigação clínica do luto antecipatório ocorreu a partir de uma situação de apoio terapêutico oferecida aos sujeitos durante as internações hospitalares. Além disso, para compor a compreensão da experiência do luto antecipatório, realizou-se o levantamento dos aspectos psicossociais e fisiológicos do paciente e seus familiares. Como instrumento de coleta de dados utilizou-se a entrevista psicológica e a observação. Os dados foram analisados através do método de análise de conteúdo. Os resultados indicam que, para os familiares e pacientes cujo tempo de doença estava abaixo de 6 meses ou acima de 18 meses (sendo que duas mortes ocorreram em 5 meses e as restantes em 24 meses e 39 meses), a experiência do luto antecipatório foi escassamente desenvolvida e estes estavam pouco preparados para o momento da morte, com exceção de apenas um caso que desenvolveu o luto antecipatório (a morte do paciente ocorreu em 62 meses). Os pacientes cujo tempo de doença encontrava-se no intervalo entre 6 e 18 meses (suas mortes ocorreram em 9 meses e 18 meses) e seus respectivos familiares desenvolveram plenamente o luto antecipatório e esta experiência parece ter sido terapêutica para a preparação para a morte. Ressalta-se que os aspectos que contribuíram para dificultar a experiência do luto antecipatório dos familiares foram o super envolvimento com o paciente durante a doença, através do exercício do papel de cuidador, bem como, o vínculo de cônjuge entre o familiar e o paciente. Tendo em vista estes resultados, concluímos que a experiência do luto antecipatório pode ser observada quando constatado o interjogo de fatores psicossociais e fisiológicos, que acompanham o paciente e seus familiares no enfrentamento da ameaça de perda e morte. Portanto, trata-se de um fenômeno legítimo de investigação.Tese de doutorado
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HISTÓRIAS DE PERDAS: UMA PROPOSTA DE (RE) LEITURA DA EXPERIÊNCIA DE LUTO
RESUMO: A experiência de luto decorrente de uma perda pessoal significativa, pode ser considerada como uma das vivências mais marcantes no desenvolvimento humano. Nessa experiência convergem diferentes aspectos, tais como os socioculturais e os psicológicos individuais que, num interjogo constante e se afetando recursivamente, tecem uma trama de significados envolvidos na construção da experiência de luto. Os pressupostos epistemológicos do Pensamento Sistêmico e as contribuições do Construcionismo Social, nos quais esta pesquisa esteve ancorada, permitem compreender a experiência de luto numa perspectiva interativa, interligada a contextos conversacionais, relacionais e de significação. Nesse marco de referência, o presente estudo propõe uma (re) leitura desse fenômeno construído socialmente na e pela linguagem. Assim, o objetivo dessa pesquisa foi compreender as tramas narrativas, relacionais e de significados co-construídas e que sustentam a experiência de luto de pessoas que vivenciaram a morte de um membro familiar. Trata-se de um estudo de natureza qualitativa do qual participaram 12 pessoas que perderam um membro familiar em circunstâncias antecipada ou repentina há no mínimo um ano e no máximo cinco anos. Para coleta de dados utilizou-se a técnica da entrevista semiestruturada, que subsidiada por roteiro previamente construído e pelos instrumentos, Genograma e Mapa de Redes possibilitaram a construção da História da Perda e de Redes Pessoais Significativas para cada uma dessas pessoas. O processo de integração e organização do conjunto de dados baseou-se nos princípios da Grounded Theory. Nesse processo delinearam-se três grandes dimensões temáticas que congregaram 11 categorias de análise, as quais configuraram o fenômeno investigado: a experiência de luto. Os resultados demonstraram a construção de uma trama narrativa, em torno do vínculo e da perda de um membro familiar, a qual evidenciou um processo de transformação desse vínculo articulado à manutenção de parte do mesmo e à construção da realidade da morte do membro familiar. Nesse processo configuraram-se tramas relacionais constituídas por redes pessoais significativas compostas em média por 20 pessoas, distribuídas entre família, amigos, profissionais de saúde e justiça, colegas de trabalho e estudo, que foram qualificadas pelo seu grau de compromisso relacional, (íntimo, social e ocasional). As funções predominantes da rede, por ordem de frequência, foram: apoio emocional, companhia social, ajuda material e ajuda cognitiva. Observou-se ao longo do primeiro ano de luto o afastamento de membros familiares e amigos, assim como o surgimento de novos integrantes advindos das redes de suporte institucional. Por sua vez, o conjunto dessas redes visualizadas, foi o eixo em torno do qual a realidade da morte do membro familiar foi significada, considerando o que foi perdido, o que causou a perda, qual sofrimento foi gerado pela perda e quais os legados do luto. O produto desta Tese visou problematizar a compreensão individualizada da experiência de luto, propondo uma concepção ampliada do mesmo, como um processo de construção social de Histórias de Perdas, processo no qual se articulam diferentes roteiros linguísticos, protagonistas e desfechos em torno da transformação do vínculo que se tinha com a pessoa que faleceu.